(my) Variations

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“How difficult it is to be simple.”

—   Irving Stone, Lust for Life (via splitterherzen)

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homnguyen:

Prince
Oil on canvas
Hom Nguyen

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Prince

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Hom Nguyen

(via homnguyen)

awkwardsituationist:

cloud iridescence — caused as light diffracts through tiny ice crystals or water droplets of uniform size, usually in lenticular clouds — photographed by rolf kohl. (more cloud pics)

Letras Mortas # Abril (2)

País abafado no mundo todo. Todo e tudo. Pesado, fechado. 
Este meu espaço pelas margens a viver as ruas em casas dançantes, pela consequência imposta, disposta, corrida à secura de um tempo num papel reciclado onde me deixo sem ar, por dentro e por fora; sou água só, para inundar café com sangue e borrar a tinta com que se tenta lavar um mundo grande entre os corredores; e fazê-lo apenas de palavras impressas nas plantas dos pés e pintar a dança das ruas nas casas dos tectos estilhaçados. Depois: sem pernas. Invasão dos mapas das plantas verdes-noite. O que vale é que muito normalmente enlouqueço as teclas todas, e uma liberdade destas pode iludir-nos suficientemente. É vale de cordas vocais vermelhas vivas vulcânicas, tão vermelho que tinge a visão em fogo posto, tão vermelho quanto o tecelão caído ao ralo no alcatrão na hora em que corto e descasco, exacto, cada minuto ateado; para que cada segundo pingue no fundo do alguidar das testas todas: desenfeitadas, desmascaradas e desidratadas, e por fim, atadas às frentes do tempo a ver a vida que falta vir. Esta minha expressão na brasa em ferro. Que alivie a falsa e podre paz e torne falsa guerra pela vida, a urgência de vos abocanhar como se fossem sedativos que me pudessem adormecer, cansado, dentro do cinzeiro e acima das vozes que não podem ouvir o meu futuro subterrâneo das chamas azuis.
Ondulo no ar desfeito e dormente sem tecidos e articulações para abrir a parede colada à janela onde recupere um queixo antigo, exposto às queimaduras do novo tempo imaginado. Deturpando cada possível vontade de mentira para transformá-la em qualquer intensa verdade com que possa desabafar a inércia e o desassombro para com as coisas todas, com os dentes todos, na relva, na terra e no fogo.
Mas a conformidade tem o seu tempo de dar mãos à resignação, e as pessoas anoitecem tanto o verde que até esse se murcha no betão de vaidades sem luz própria. Ao espiar a lua e as estrelas pelo espaço que resta descubro passados sem futuros.
Há um presente enredado em cada laço por desmaiar e por cravar aos pés. Que fossem asas, o abafo seria vertigem e a loucura seria doce como o caminho das águas dos rios ao mar - depois, curada - curado pelo sal. 

Letras Mortas # Abril

Há ecos pelos holofotes ao cimo – as imagens são sons das palavras das cores – aproximam-se da carne e revolvem a pele ansiosa pela revolução do tacto no negro mel de sangue. Não fales, amor-mundo. Estás seco. Assim to digo. Não contes o que te disse a ninguém: é o teu segredo. Guarda-o dentro da palavra engolida a seco. Mundo seco. 
Sei que não vais conseguir: nunca consegues, mundinho.
O teu segredo é um fundo sem fim de ecos de gemidos no cimo das palavras sem sentidos, e onde o mel que soluçamos entre rasgões de lucidez escorre pela curva do pescoço até à gruta do peito.
Desaparece a pele e apareces, um mundo inteiro por refazer.
És desse licor, desse sangue-seiva cuja planta é metade mapa e metade lenda. Levantas-me as bandeiras das cores da carne e reapareces na pele. Sujo. Parto na continuação das rodas por inventar. Na mecânica dos carris a par e passo desse segredo construído de que me esqueço continuamente. A secura pede chuva e os ecos pedem música - os pulmões enchem-se por dentro para fora e cospem-te, mundinho. O ar leva-te para fora de mim, mundo-amor, e a paixão acenderá connosco os ecos dos segredos que nunca foram, numa inglória tocha de fumos de liberdade. A vida num cabaret acontece fora do mundo, mesmo que tudo seja à sua semelhança e as criações sejam as memórias das esperanças nos futuros. Os ecos das memórias estalam o chão e os holofotes despejam as obscuras luzes como água gelada no pescoço, para que a vida continue e a esperança se renove a cada electrónica passagem da virtualidade mais-que-perfeita.
Na ideia da tua presença: o comum dos passos que nos cruzam no tempo atrás do tempo. A máquina acompanha-nos e o sistema desaparece quando nos vemos na intimidade do rubor do licor - transforma-se na energia do sangue que grita - e a fénix voa em remoinhos de ar no imenso temporal dos desejos finalmente satisfeitos – e o teu pó depois, mundo-amor. Que te quererei novamente e jovem - como no início do qualquer segredo que me faz querer descobrir-te. 

Estudo dos Meios, de Perspectivas, Prospectivos e Introspectivos

"Também já andei nisso dos grupos"… de/da língua afiada e/ou nariz torcido, for the sake of "being cool" or any other pretty fucking feeling/thought/excuse!… Mas nunca tive muito muito jeito, acho. 
Já me mexi nas areias movediças das aparências e dos ímpetos da afirmação e/com vários sentidos, auscultei alguma coisa dos sociais imperativos nas realidades das superfícies e superficialidades, na lama, em hypes, nas lutas de galos e todos os animais da selva mais ou menos racional. Mas não me tenho deixado levar nas nódoas que crescem e se entranham no espírito e o toldam e impedem de manter os olhos e a cabeça abertos. Aprecio humildade e tolerância, o máximo possível. Mas soltar a franga, saltar a tampa, etc, também pode trazer o seu bem! There is an art called Being Snob - with no cause or for no reason… - but it sucks!

Há sempre sociedades e micro-sociedades (isso de grupos, também) que facilitam fofoquices, fábulas, críticas destrutivas, directas e/ou indirectas, e acidez, entre as coisas boas que possam avivar também. Mas acho mesmo que a tendência da construção é, tantas vezes, ser levada pela destruição. É como o mito de Sísifo. É a humanidade. Haja esperança. É como dizer que de uma guerra saem vencedores versus derrotados. Há palavras que “são só” pedras atiradas, não mais do que isso.
Também há “bocas”, críticas e coisas que compreendo, em relação ao que for. Há expressões incertas e há expressões familiares. Há tudo isso que pode ser necessário, fundamentado, imperativo… Há críticas em que me revejo e/ou que aceito ou procuro aceitar por um ou outro motivo. Haja fundamentos (sem fundamentalismos). Haja bom senso. Há concordâncias.


Tenho doses de parcialidades e imparcialidades conforme uma série de factores e agora ia por aqui e só parava de dizer coisas amanhã; indo pela noite fora em direcção às filosofias, dialéticas, retóricas e quejandos. Vá, continuando em generalizações: há críticas que faço. Até critico a crítica, como agora estou a fazer, de alguma maneira. Há críticas que deixo passar, tolero, engulo, ou simplesmente não compreendo. Às vezes oponho-me, contraponho, refuto, discordo mais, ou menos, assertivamente. Outras vezes, há na minha atitude, resposta ou reacção, uma espécie de quase anti-atitude - como se me anulasse ou me deixasse anular. É um defeito, talvez demasiadas vezes presente, que até já funcionou ou pode funcionar como qualidade e sem propriamente uma predefinição ou intuito/propósito definido. Penso sobre isto. Às vezes penso muito e nascem-me mais dúvidas.

Enjoy!

Ao que passou e agarrou por fim: que te enterrei na minha voz o doce ritmo do calor da tua garganta entre a hora ao escuro. E fomos assim achados e perdidos, logo que desapareceste. Renovado, eu, sem pensar em mais nada, agora que torno a pensar e a falar. De repente e às vezes, faz sentido. Perder a direcção.

Já te encontraste a morrer puxado num remoinho num naufrágio em terra da noite, quando a hora retrocede ao ponto do não saberes o que é que te mata a seguir, e te perdeste a saber que podias não conseguir continuar mais - parar, só, primeiro para descansar, e depois ali criar a raiz funda, cavada no centro da impossibilidade do movimento e do abandono à falta de vontade de sobreviver, amor? Se sim, encontraste-me.

Os fantasmas não vão porque não foram, ficaram feitos pedras atiradas ao charco real onde os príncipes e as princesas se banham antes de serem decapitados por reis e rainhas do futuro. Antes de verem as próprias cabeças rolar hipnotizadas por lençóis brancos a cobrir as almas sempre presentes - as que sussurram os seus ventos que arrepiam e tingem os ossos de vermelho, e de realidade atirada ao espelho, inteira, aquela que faz do mundo um passado assombrado e inquieto. E um futuro presente.